Médicos recém-formados erram diagnósticos básicos

Médicos recém-formados erram diagnósticos básicos

Cedo ou tarde toda pessoa necessitará de algum cuidado com a saúde. Segundo a última pesquisa do IBGE divulgada (Pesquisa Nacional de Saúde – PNS), 48% dos brasileiros utilizam as Unidades Básicas de Saúde (o famoso posto de saúde) para atendimento médico e 20,5% procura por consultórios particulares ou clínicas privadas, sendo que 28% paga por convênio ou plano de saúde. Uma coisa é certa: a população paga por atendimento, seja por meio de impostos para utilizar o SUS ou por atendimento particular, mas será que esse investimento está sendo bem utilizado? O dinheiro que a população investe em saúde traz retorno?

“Isso mostra que muitas das escolas ainda não estão com uma grade curricular à altura para formar esses alunos”

Parece que não. O exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) de 2015, que registrou 48,13% de reprovação entre os participantes, revelou elevado nível de desconhecimento dos recém-formados em medicina em procedimentos considerados básicos.

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A prova com 120 questões de múltipla escolha obteve índices de erro entre 60% e 78% em questões que abordavam problemas como insuficiência renal crônica, hipertensão arterial e asma brônquica. Os erros estão diretamente associados as falhas nas práticas de ensino e ao excesso de faculdades de medicina abertas no Estado, afirma o conselheiro corregedor Eduardo Luiz Bin, de Ribeirão Preto. “Isso mostra que muitas das escolas ainda não estão com uma grade curricular à altura para formar esses alunos, porque é o básico da medicina”, afirma Bin.

Nos testes, 78% dos médicos não acertaram quando questionados sobre o diagnóstico para insuficiência renal crônica. Também se destacaram números dos que não souberam identificar características de esquizofrenia (73% deles), transtorno bipolar, com 72%, asma brônquica em crianças, 64% e tratamento do infarto agudo do miocárdio com 63%.

Segundo Luiz Bin, o desempenho dos alunos nessas questões está diretamente ligado à qualidade do aprendizado nas faculdades, cada vez mais numerosas no Estado, porém com um número insuficiente de professores capacitados. “Não existe a formação do professor da universidade, porque o doutorando, o mestrando demora tempo. Para se formar um professor de faculdade de medicina vai-se aí em torno de cinco a dez anos e as faculdades estão sendo abertas quase que mensalmente”, critica.

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