O Coronavírus vai mudar para sempre o mundo que conhecemos

O Coronavírus vai mudar para sempre o mundo que conhecemos

Chegamos aqui imaginando que o Coronavírus era um problema velho num mundo novo e sairemos com a certeza de que o COVID-19 era um problema novo num mundo velho”. (MARLON CORRENTE)

Coronavírus se mostrou um desafio único, não por sua agressividade, mas pela forma que uniu várias cadeias de instabilidade num único local e colocou várias verdades da sociedade moderna na parede.

O mundo agora que nos obriga a pensar e entender como isso escalou e toda complexidade das suas variações lida com outros desafios muito mais complexos que biologia e dicas sanitárias.

Nossas certezas de décadas, nossas verdades, nossas relações e o nosso processo de decisão serão mudadas pra sempre e essas mudanças vão iniciar na nossa relação comunitária até o nosso modelo corporativo e universitário, passando pela influência do estado como gestor do caos e a relação entre os países.

Passamos por epidemias mais agressivas e tinhamos menos tecnologia, o grande desafio é que raramente tantas coisas aconteceram junto no mundo moderno.

Como o que está acontecendo hoje nunca aconteceu antes sobre o ponto de vista de volatilidade e desconhecimento proporcional, as empresas precisam lidar com trabalho remoto, pouco crédito, diminuição do capital de mercado, desequilibro de oferta e demanda e intervenções do estado, as vezes desastrosas.

Se o predictive analysis une o presente ao passado pra antecipar o futuro, as empresas ainda não entenderam o futuro pela falta de elementos do passado.

Vai demorar algum tempo para entender onde exageramos e onde falhamos. Mas algo é inevitável, concorde você ou não, estamos passando por um momento único na história e ao tentar entender como será o futuro, segue alguns pontos que inevitavelmente irão mudar pra sempre após a crise Coronavirus.

Nosso entendimento de mundo

A vida já está diferente e isso prova que nossas prioridades não eram tão prioritárias. Passamos os últimos anos discutindo como tornar o mundo mais socialmente responsável, se deveríamos ser mais ou menos receptivos a imigrantes ou como deveríamos lidar com a nossa sexualidade, ou a nossa religião.

Isso não significa que nossas percepções não eram relevantes mas que por alguns dias a maior parte das nossas verdades foram colocadas de lado, nossas igrejas deixaram de abrir, nossos negócios fecharam as portas, nossas viagens foram canceladas e nossos hospitais precisaram parar de perguntar se éramos nativos aqui ou imigrantes para nos testar.

Isso nos mostrará no horizonte que nossas diferenças ainda são menores do que os fatores que nos tornam iguais. O Coronavírus bate na nossa porta e diz:

Ei, não interessa se você é homem, mulher, gay, hétero, latino, europeu, asiático ou norte americano. Não interessa se mora na África do Sul, em Roma, em Moçambique, no Texas ou em São Paulo, se come carne, tem tendência republicana ou democrática, se chama Deus de Deus ou Alah ou se acredita que estamos todos aqui vitimas do acaso. Estamos todos no mesmo barco e a prioridade agora será cuidar para que o barco não afunde com a gente e nossas verdades junto. Inevitávelmente cuidaremos um dos outros.

Por alguns dias passaremos a entender que o que nos causa medo, também causa medo nos nossos amigos e nos nossos inigimos, que o pânico existe pra mim e pra quem pensa igual ou diferente de mim, e que no final dependemos tanto do outro quanto de nós.

Inevitavelmente o mundo será outro quando todo mundo entender isso.

Que todo o ambiente corporativo não é tão necessário assim

A maior parte da vida da maior parte da sociedade estava pautada até semanas atrás em acordar cedo, pegar um transporte particular ou público, dirigir, ficar em pé ou sentado por horas, chegar na sala, sentar (ou estudar), comer, ver as mesmas pessoas, os mesmos problemas e os mesmos desafios no mesmo lugar.

Esse lugar que custa caro e tem muita gente vai estar fechado, e inevitavelmente vamos perceber que o negócio vai continuar de pé. Vamos voltar lá e nos perguntar. Preciso mesmo de tudo isso?

Seja por ordem ou por decisão voluntária, a maior parte das corporações do mundo vão passar os próximos dias com seu time trabalhando em casa.

A grande particularidade é que ao contrário de uma cultura de trabalho, os projetos ainda precisarão ser entregues, os prazos cumpridos e os cargos mais do que nunca mantidos, essa junção de fatores vai inevitavelmente nos mostrar que as reponsabilidades individuais são sempre tão ou mais importante dos que as coletivas e as estruturas em torno disso.

Vão mostrar que nossas reuniões poderiam ser resumidas num telefonema ou e-mail e que poderíamos ter qualidade de vida proporcionalmente ao tempo que gastamos no trânsito, ou lidando com as burocracias de manter em pé as estruturas que não precisamos.

A maior parte das indústrias já possuem margens confortáveis de lucro para compensar produtividade, o desafio agora será disciplinar quem se acostumou a trabalhar apenas sobre ordens e monitoria diária.

01: Inevitavelmente vamos perceber que temos gente demais, projetos demais e pouca efetividade.

02: Inevitavelmente a apresentação vai passar a convencer menos que o resultado prático. Veremos quem produz e quem é um peso para o grupo, para o negócio ou para a indústria.

03: Inevitavelmente vamos nos dar conta que os gigantes e caros edifícios não são tão necessários, que nossos cubiculos não nos fazem falta e que poderemos produzir bem sem o nosso chefe no nosso pescoço a cada minuto.

04: Inevitavelmente vamos nos dar conta que as relações do nosso negócio precisam ser mais próximas, mais lineares. Que precisamos de menos diretores, supervisores e gerentes assistindo para dar palpite e mais gente que realmente sabe, produzindo e recebendo por isso.

05: Inevitavelmente vamos perceber o quão ineficiente é a nossa política corporativa e quão difícil será manter os bullshiteiros no trabalho e no poder.

Inevitavelmente, a forma como trabalhamos será mudada, pra sempre.

Que investimos dinheiro e energia demais nas Universidades por motivo nenhum

Junto com nossas corporações, as universidades precisarão fechar por um tempo, mas ainda terão que entregar e receber conteúdo pra continuar recebendo suas mensalidades e incentivos públicos ou privados.

Nos daremos conta uma vez por todas que fora alguns desenvolvimentos científicos que dependem de estrutura laboratorial, perdemos mais tempo e energia nos ambientes universitários do que ganhamos.

É possível que os fundos que sustentam as contas das grande universidades se recusem a pagar pelo crescimento da inadimplência e que o conselho que gere esses locais comecem a se tornar mais críticos quanto ao excesso de espaço inativo e quanto necessidade de aplicar melhor os recursos e os espaços.

Portanto, pode tornar o estudo mais barato e acessível, ou as universidades que se recusarem a esse modelo verão os negócios que surfarão na entrega de conteúdo remoto irão crescendo nos próximos meses até engolir os modelos universitários tradicionais.

Que o lucro do dinheiro parado acabou

O Federal Reserve acabou de colocar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0%. Isso deve causar um efeito em cascata em todos os outros países, ao contrário da capacidade de endividamento do estado e da margem para corte da taxa básica de outras crises, o Covid-19 trouxe no horizonte a possibilidade de lidar com juros negativos, países como Japão e Suécia já operam sobre juros negativos e isso faz cair outra verdade que durou décadas:

Deixar o dinheiro parado sobre tutela dos especuladores não significa mais lucros. Vai ser preciso saber investir.

  • Japão: -0.10%
  • Suécia: -0.30%
  • Banco Central Europeu: -0.40%
  • Dinamarca: -0.70%
  • Suíça: -0.80%

Se você nao entende muito bem o que isso significa, vou tentar te explicar.

Se você hoje colocar $10,000.00 sobre uma taxa básica de de 4.5% em 10 anos, você vai receber algo como $12,436.61.

Se você colocar $10,000.00 sobre uma taxa básica negativa de -0.5% em 10 anos, você vai receber algo como $9,511.10.

Isso literalmente significa que você precisa pagar para emprestar o seu próprio dinheiro.

O mundo está dizendo pra gente:

OK, a gente não acredita mais tanto assim na efetividade do lucro especulativo, se você não sabe o que fazer com seu dinheiro e tem medo de perder tudo, me paga um pouco que guardo ele pra você. Mas se você quer fazer o dinheiro render algo, vai ter que aprender a empreender ou escolher alguém que realmente faça isso por você.

Isso serve para os donos de grande fortunas e serve para sua poupança financeira particular. Quem não aprender o que significa esse novo mundo vai morrer junto com o mundo antigo.

É uma questão de tempo para a maior parte dos países do mundo operarem com taxas básicas em 0% ou negativas, e é muito interessante que você aprenda a operar o seu dinheiro de maneiras mais efetiva do que colocando ele pra descansar sobre tutela do estado ou de um banco daqui pra frente.

Os negócios precisarão ser mais digitais

Passamos os últimos anos discutindo e supondo que ter um Negócio Digital era sinônimo de apenas investir Marketing Digital, nos demos conta sem tempo de raciocinar que não.

social media concept

O fato é que a maior parte das corporações perceberam só agora que a sua capacidade de operar sobre modelos mais flexíveis e dinâmicos eram muito baixos ou inexistentes.

E isso passa desde sua infraestrutura quanto a sua capacidade de entender seu negócio e gerar decisões corretas e rápidas com base num autocontrole das suas entradas e saídas.

Será preciso conhecer muito bem o mercado, diariamente e melhor ainda o seu próprio negócio. De pequenos negócios as mega indústrias, os dias de volatilidade inevitavelmente nos mostrarão que nossos dados são mal produzidos e mal interpretados.

Será preciso conhecer quem somos, onde vendemos e como aplicamos o dinheiro, integrar o negócio ao novo mundo e lucrar. É impossível fazer isso sem tecnologia e é impossível conhecer a tecnologia correta não entendendo o mundo além do próprio quintal.

Que os desafios da sociedade moderna são mais comunitários do que particulares

O Covid-19 não é uma batalha particular, é uma batalha comunitária e de empatia!

Esta doença vai nos ensinar que mesmo que eu ou você não se encaixe numa zona de alto risco, devemos considerar as pessoas que estão ali e vamos fazer isso pela vida das pessoas que amamos e pela vida das pessoas que não conhecemos.

Os próximos dias inevitavelmente não serão sobre eu e você, serão sobre não sermos mais uma conexão até as pessoas que não podem se expor.

E aqui o jogo muda completamente. Passamos os últimos anos discutindo como a sociedade podia ser melhor em suas relações, no novo mundo teremos que entender e mostrar que somos parte disso. O Coronavírus vai demonstrar inevitavelmente que não somos uma ilha e que nossa relação social será cada dia mais de ação, reação e relação do que apenas observação e crítica.

Nada é mais caro do que não fazer nada

Seja com base no que aprendemos no passado, nas últimas semanas ou no futuro, a omissão vai sempre ser cada vez mais cara que o risco da decisão.

Nosso dinheiro aplicado não retornará nosso lucro apenas por estar ali parado, nossos riscos vão definir se estaremos quebrados ou ricos em alguns anos e nossa decisão hoje vai definir se nosso negócio será história, ou um novo império.

A maior parte dos negócios que dominam os mercados e nossas mentes surgiram ou se tornaram impérios após a crise de 2008, outras dezenas quebraram ou jamais se recuperaram. Vamos inevitavelmente aprender que poucas coisas são mais preciosas para um empreendedor que o caos.

Fonte: Investificar

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