Com juros reais cada vez mais baixos, padrão de poupança mudou e criou desafio para aposentadoria

Com juros reais cada vez mais baixos, padrão de poupança mudou e criou desafio para aposentadoria

Ferramenta Longevità permite cálculo de investimento necessário para aposentadoria

Com a taxa de juro real cada vez mais baixa no país, o padrão de poupança do brasileiro mudou rapidamente e as novas gerações precisarão poupar mais mensalmente, ou ter que aceitar uma aposentadoria menor no futuro, diz o economista Fabio Giambiagi, um dos principais especialistas em previdência do país.

“Assim como o governo teve dificuldades para aprovar a reforma da Previdência, que exige da população mais tempo de trabalho, assim como fundos de pensão têm dificuldade de convencer participantes a contribuir mais, o esforço de individual de guardar dinheiro também precisará mudar”, explica Giambiagi.

Para contribuir com informações e ferramentas de planejamento, o economista está lançando a plataforma de previdência online chamada Longevità, em parceria com Arlete Nese, especialista em previdência complementar e consultora de investimentos.

A plataforma permite simular o esforço necessário de poupança para a aposentadoria. Com juros real de 6% ao ano, por exemplo, uma pessoa de 30 anos precisará guardar R$ 1.042,40 por mês para se aposentar ganhando R$ 5 mil mensais aos 65 anos. Com juros, de 1% ao ano, o esforço de contribuição sobe para R$ 3.330,46 por mês.

“O país viveu com juros reais de 6% ao ano dos anos 90 até dois a três anos atrás. Os juros faziam, desta forma, grande parte do esforço de acumulação de dinheiro para a aposentadoria. E isso mudou”, disse Giambiagi, que levou cerca de dois anos para desenvolver a plataforma de previdência.

Cálculos da consultoria Economatica mostram, por exemplo, que o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) rendeu, descontada a inflação, 1,59% no ano passado. A poupança teve um retorno negativo de 0,05% em 2019. Desde então, a taxa básica de juros, a Selic, caiu ainda mais, para 3,75% ao ano, a menor da história.

A plataforma tem cinco simuladores: contribuição mensal (aportes mensais necessários para a renda desejada), renda complementar (o inverso da anterior), capital acumulado (valor acumulado após determinado tempo), capital necessário (capital requerido para determinada renda) e a renda gerada (renda mensal gera por determinado capital).

A ferramenta permite especificar a renda mensal desejada, o capital inicial disponível, além da idade de início da contribuição e de aposentadoria, assim como definir juros reais e parâmetros mais avançados (como taxa de administração, inflação). A ideia básica é que seja uma carteira de investimentos autoadministrada.

Segundo o economista, um dos diferenciais da Longevità para outros simuladores existentes seria exatamente a facilidade comparativa dos números, por meio de resultados exibidos em tabelas. “Temos uma resposta visual muito clara da importância das pessoas não muito para começar a guardar dinheiro”, resume Giambiagi.

Arlete acrescenta que a plataforma se diferencia das demais também por seu propósito. “Não é um aplicativo criado para vender um produto, é independente de qualquer organização. O propósito é a educação previdenciária”, diz Arlete, explicando que, além do simulador, o portal conta com blog com orientações para a aposentadoria.

Ela concorda que as novas gerações precisarão pensar de forma muito diferente a acumulação de dinheiro para a aposentadoria. Ser disciplinado e, dependendo do perfil, assumir mais riscos. “Momento da sua vida define seu perfil de risco. Quando mais o tempo passa, em geral, menor deve ser o risco”, disse ela.

Fonte: Valor Investe

 

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