Só ‘milagre’ pode recuperar confiança do consumidor neste ano, diz FGV

Só ‘milagre’ pode recuperar confiança do consumidor neste ano, diz FGV

O indicador caiu 22 pontos entre março e abril para 58,2 pontos, menor nível da série iniciada em setembro de 2005

“Somente um milagre” poderia recuperar a confiança do consumidor em 2020, derrubada pela crise provocada por avanço do pandemia de covid-19 no país. A análise partiu da coordenadora de Sondagens da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Viviane Seda Bittencourt ao falar sobre a evolução do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), anunciado hoje pela FGV.

O indicador caiu 22 pontos entre março e abril para 58,2 pontos, menor nível da série iniciada em setembro de 2005. “Teria que acontecer um milagre para termos este ano saltos na confiança do consumidor e o indicador voltar a atingir 100 pontos [quadrante favorável] em 2020”, afirmou Viviane.

Para a técnica, o ICC de abril impressiona pela cautela elevada do consumidor em comprar algo nos próximos meses. “Não existe, no consumidor uma intenção boa de compras nem para os próximos seis meses”, alertou ela.

A especialista chama atenção para a evolução do indicador “intenção de compras de bens duráveis para os próximos seis meses”. Esse tópico foi que o mais contribuiu para o recuo do ICC no mês, e despencou 35,6 pontos entre março e abril, para 21,1 pontos – também menor patamar da série. “Foi impressionante essa queda na intenção de compras”, afirmou. “É um nivel muito baixo, é uma cautela enorme. E essa cautela é elevada mesmo em famílias com faixa de renda mais alta”, afirmou.

Na evolução por faixas de renda, todas as famílias apresentaram recuo de confiança de dois dígitos. Entre as famílias com renda até R$ 2.100, a queda do ICC foi de 23 pontos entre março e abril; nas famílias com renda entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, o recuo foi de 20,9 pontos. Nas com renda entre R$ 4.800,1 e R$ 9.600, a queda [e de 21,3 pontos; e nas com renda superior a R$ 9.600,00, a retração no ICC foi de 21,4 pontos.

Um fator preocupante é o alto grau de imprevisibilidade que o consumidor tem que lidar, hoje, quando pensa no futuro. “Se olharmos as expectativas [do consumidor] podemos notar que o consumidor não está conseguindo fazer previsão de quando vai voltar a comprar normalmente”, acrescentou.

Na evolução dos dois sub-indicadores do ICC, o de expectativas caiu de forma mais intensa, alertou ela. Enquanto o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 10,5 pontos entre março e abril, para 65,6 pontos, o Índice de Expectativas (IE) caiu 28,9 pontos.

Nem mesmo o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 autorizado pelo governo por três meses, e a possibilidade de novo saque do FGTS em junho, poderia ajudar a mitigar a trajetória negativa do consumo, na avaliação da técnica. Ela lembrou pesquisa recente da FGV, anunciada na semana passada, em que mostrou que 80% dos consumidores só estão comprando o essencial.

“Há uma mudança no comportamento do consumidor, que tem que lidar com nível de incerteza muito alto”, afirmou, lembrando que a confiança no consumo opera em dois níveis: psicológico e racional. “A parte psicológica dessa crise elevam o medo e a insegurança, mesmo com medidas de estímulo ao consumo” comentou ela.

Assim, para a especialista, é possível novos recordes negativos no ICC, tanto em nível de queda quanto em patamar de pontuação do indicador, nos próximos meses. “Não sabemos como vão ficar as restrições daqui para frente. Teria abertura parcial do comércio em maio? Como ficaria a questão da contaminação?” indagou ela, frisando que não há como saber, no momento, quando será o auge do impacto da doença. Tanto número de casos quanto de mortes ainda têm apresentado trajetória crescente no país, ressaltou ela. “Temos que espera para ver o que vai acontecer, ver o comportamento do vírus”, disse, observando que, caso ocorra uma piora muito expressiva no cenário de covid-19 no Brasil, isso pioraria ainda mais a confiança do consumidor ao longo do ano.

Fonte: Valor Econômico

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